domingo, 10 de março de 2013
"Bom professor em terra de bons alunos"
"Grandes males obrigam a grandes remédios. Uma máxima que as empresas de serviços de Recursos Humanos (RH) estão a aplicar para transformar uma ameaça em oportunidade de negócio.
Com o desemprego em níveis nunca vistos, o setor teve de criar novas soluções para segurar os resultados. A Randstad é um dos três principais players mundiais da área de RH e só em Portugal faz uma gestão (em média) de 30 mil trabalhadores temporários. Mas há outras propostas para contornar a crise.
Sabe de quantos colaboradores precisa?
A questão pode parecer descabida mas se por estes dias decidisse abrir uma fábrica ou implantar uma rede de retalho seria fundamental ter a noção exata do número de colaboradores que necessita para evitar custos salariais exagerados. Este aspeto é ainda mais pertinente para negócios com variações sazonais onde o segredo é ter nos quadros os elementos indispensáveis para assegurar o ponto mínimo de atividade e recorrer a trabalho temporário nos picos de laboração. A Randstad presta um serviço de planeamento do género - o Recruitment Process Outsourcing - e a casa mãe investiu recentemente 800 milhões de dólares na aquisição de uma empresa norte-americana especializada neste serviço. Um aspeto a ter em conta é a necessidade de desenvolver um plano de negócios bem estruturado para que esta solução possa funcionar no alocamento das necessidades previstas de recursos humanos.
Exportar trabalho através do Cross Border
A decisão pode não agradar à maioria dos portugueses mas com uma taxa de desemprego (estatístico) a tocar os 16%, a opção de emigrar afigura-se como a única alternativa para alguns dos nossos compatriotas. A oferta de trabalho em Portugal supera largamente a procura e a dimensão internacional da Randstad é uma vantagem para a multinacional. As várias filiais estão a fazer partilha de currículos entre si num modelo chamado Cross Border. Se os colegas de um país têm um cliente que pretende determinado perfil de colaboradores que de momento escasseiam nesse território, pesquisam CV de filiais no estrangeiro e enviam propostas para esse país na tentativa de contratarem os profissionais pretendidos. Não acabará, a mão de obra portuguesa, a ganhar um lugar de destaque nas exportações nacionais?Âncoras
O bom professor português
Temos fama de 'bom aluno' na Europa mas haverá casos em que conseguimos dar lições a outros países. Que o digam as filiais da Randstad pelo Mundo fora. A produtividade da empresa em Portugal é um exemplo: tem os custos mais baixos em percentagem de vendas. Os níveis de produtividade que consegue também poderiam ser um benchmark para o IEFP.
Um exemplo para filiais em todo o mundo
A economia portuguesa está estagnada há 10 anos mas só em 2009 é que a Randstad Portugal registou um recuo de 3% nos resultados. No mesmo ano, os concorrentes recuaram 25%. O desempenho exemplar explica-se pelos mecanismos de motivação e incentivos aos colaboradores. As margens de lucro baixas que se obtêm no país obrigam a equacionar uma estrutura de custos muito reduzidos. Um bom exemplo encontra-se na sede da empresa em Lisboa, onde uma secretária trabalha para vários diretores. Há operações feitas em Portugal que depois são rentabilizadas no Brasil com diluição de custos pelas duas filiais.
Boas práticas para o setor público?
Outra comparação interessante pode ser feita entre o desempenho da filial portuguesa e o de organismos públicos ligados ao mesmo setor de atividade. A Randstad tem 48 delegações onde colaboram 360 funcionários face aos 86 centros de emprego do IEFP que operam com mais de 3000. O orçamento anual da empresa é de 23 milhões de euros enquanto o do IEFP ultrapassa os 200 milhões. No final, ambos colocam anualmente um número idêntico de pessoas no mercado de trabalho, ou seja, uma produtividade 10 vezes superior à do organismo público."
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/interior.aspx?content_id=2952333&page=-1
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