domingo, 10 de março de 2013
"A empresa mais feliz do país"
"Em ano de crise, vão ter aumentos. Têm cadeira de massagens, máquina para tirar imperiais e manicure no local de trabalho. São colaboradores de uma empresa nacional que está entre as melhores para trabalhar. E adoram.
«Se não gosta de festas até pode trabalhar cá, mas nunca vai chegar a partner». António Henriques, fundador e CEO do Grupo CH, solta uma gargalhada, mas está a falar muito a sério. Na empresa de consultoria que se orgulha de ser «a mais feliz do mundo», todos os anos há festa de Natal, summer party na praia, festejos de Santo António e São João e a boa disposição é critério de recrutamento.
O grupo nacional, que tem sede em Coimbra e 75 trabalhadores espalhados por delegações também no Porto e Lisboa, acredita que a chave do sucesso está em quem lá trabalha. E faz tudo para manter um sorriso nos seus funcionários: Tem uma cadeira de massagens num terraço, que foi baptizado como ‘Beer Deck’, por ter uma zona lounge e uma máquina para tirar imperiais. Uma vez por semana temmanicure ao serviço de quem lá trabalha, máquina para engraxar sapatos e até um fraldário.
«Como consultora, somos uma empresa de serviços. O nosso produto é quem cá trabalha, por isso, vemos estes gastos como um investimento», garante António Henriques, que não tenciona deixar de investir por causa da crise. Nesta empresa não há cortes. «Vamos até aumentar alguns dos nossos colaboradores», diz, explicando que vai criar um grupo de trabalho interno «para analisar o Orçamento de Estado e propor uma optimização fiscal, que permita às pessoas alternativas para serem menos afectadas pelas medidas de austeridade». Na CH, a palavra de ordem, espalhada até em posters nas casas-de-banho, é ‘destroika’ e a filosofia é não baixar os braços perante a crise.
A atitude já lhes valeu 17 prémios em 15 anos de vida. Foram premiados pela inovação, mas acima de tudo por serem uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal. E o CEO garante que não é por darem estes mimos aos trabalhadores que pagam pior. «Temos ordenados ao nível do que se pratica noutras empresas. Às vezes melhores. Se queremos ser os melhores, temos de ter os melhores». Este ano, por exemplo, a empresa decidiu criar um incentivo comercial a quem conseguisse angariar clientes. «O prémio mais alto que demos foi de 15 mil euros», conta António Henriques.
A gestora de projectos Raquel Ribeiro também vai ganhar este ano um extra, mas nem sequer é por trabalhar mais. «Sempre que alguém se casa, recebe 500 euros», conta divertida, explicando que, como o noivo também é da CH Consulting, o valor é a dobrar. «Só falta ter um filho, para recebermos mais um prémio de 250 euros. Temos de pensar nisso», atira entre risos, explicando que nunca antes tinha trabalhado noutro local igual. «Tenho 38 anos e já tinha estado noutras empresas, mas nem se compara. Aqui somos mesmo amigos uns dos outros».
O espírito descontraído e familiar é bem visível. Na cozinha da sede do Grupo CH, em Coimbra, não é estranho que às cinco da tarde haja folhadinhos de salsicha no forno. «Duas funcionárias fizeram anos no fim-de-semana e vão dar um lanche», conta a directora de comunicação Filipa Prenda, enquanto na mesa se assam chouriços. «Não vou dizer que isto acontece todos os dias, mas há festas quase todas as semanas». Se o motivo não são aniversários, são negócios que se fecham ou projectos que se concluem. «Trabalhamos muito e esta é uma forma de descontrair».
Engana-se, aliás, quem pensa que não se trabalha na CH só porque há colchões e velas na sala de reuniões onde também há massagens de reiki. «O ritmo é intenso. A diferença é que estamos muito motivados para trabalhar», afirma Carolina Leite, a licenciada em Psicologia que, em três anos passou de estagiária a directora da área de Responsabilidade Social. «O departamento nem existia, mas foi criado depois de uma proposta minha». Carolina aproveitou o mote do ‘chefe por um dia’ – o momento do mês em que cada um faz as suas propostas – e foi bem sucedida. «Investi uma hora a preparar algumas ideias. Compensou».
Quando há uma boa sugestão, António Henriques não hesita. «Fazemos uma gestão ao segundo. Ou há um ‘não’ ou há um ‘já’». Foi assim com a proposta de compra de um fraldário – já que numa empresa onde a média de idades é de 35 anos e 54 dos 75 trabalhadores são mulheres, só este ano houve sete grávidas. «Muitas das mães vêm cá visitar-nos mesmo durante a licença. Um dia pediram um fraldário, no dia seguinte estava cá».
A comunicação interna também é uma constante. Todos os dias, há uma edição do IN CH News. «Devemos ser a única empresa do mundo com um jornal diário», brinca o administrador. Com uma versão online e outra em papel, o jornal tem os colaboradores como protagonistas e serve para comunicar todas as novidades. «Quando fazemos uma reunião, o que sai de lá vai para o jornal. Na altura em que começámos com o prgrama de reorganização interna, chegámos a ter uma edição matutina e outra vespertina e a sair ao sábado e ao domingo». Mas o diário tem também espaço para anúncios tão simples como o nascimento de um bebé ou o facto de um colaborador ter trazido para a sala de refeições «maçãs do quintal ou marmelada feita em casa». No dia em que SOL esteve na CH, a presença dos repórteres foi manchete.
Uma das empresas do grupo, a Monstros&Companhia, é especializada em Comunicação, por isso, criatividade não falta. A prova são as campanhas desenvolvidas para promover os prémios para os quais a CH está nomeada. Neste momento, são dois: o prémio Human Resources Portugal, que será entregue a 13 de Novembro, e o prémio Exame/Accenture, cujo vencedor só será conhecido em Janeiro. Num caso e noutro, os trabalhadores são as caras e as mentes criativas dos cartazes que estão espalhados pelos corredores da sede do Grupo e que garantem que esta «é a melhor empresa do mundo».
Mas os prémios não vêm só de fora. Todos os anos, há um jantar de Natal, onde são entregues os ‘monstros’, uns peluches azuis que são recebidos como se de um Óscar se tratasse. «Já recebi o monstro Revelação do Ano, o monstro dos Sete Ofícios e o monstro de Mãe do Ano», conta Catarina Carvalho que, em 2007 trocou uma grande sociedade de advogados em Lisboa pelo Grupo CH em Coimbra. «Queria voltar para a minha cidade, por isso candidatei-me como secretária de direcção. Hoje, sou assessora jurídica». À semelhança de 66% dos colaboradores do Grupo, Catarina tem flexibilidade de horários e reconhece que, como mãe, isso é uma vantagem. «Ontem, até trouxe a minha filha para aqui à tarde, depois de uma consulta porque não tinha onde a deixar».
Quando está em processo de recrutamento, António Henriques começa por olhar para as fotografias que acompanham os currículos. «Gente com ar mal encarado nem chega à entrevista, por muito bom que seja o currículo. Recrutamos mais por atitudes do que porque competências, porque normalmente são pessoas muito jovens, que se formam aqui connosco». A excepção só aconteceu uma vez. «Já tinha visto aquele currículo nem sei quantas vezes. Era mesmo bom, mas a foto era uma desgraça». Depois de muita hesitação, chamou o candidato para uma entrevista. «Assim que entrou, irradiava energia e simpatia. Contratei-o e disse-lhe para mudar a foto do CV».
Na empresa, 95% têm licenciaturas ou mestrados, mas as áreas de formação são das mais variadas, até porque o grupo – constituído por cinco empresas – presta serviços que vão da consultoria de gestão e recursos humanos, à formação, comunicação, design e branding. O estagiário Rúben Grilo é um bom exemplo: ao contrário dos colegas que tentaram a sorte no concurso de professores, o licenciado em Ciências da Educação está a trabalhar na formação para adultos dada pela CH. «Era o tema da minha tese. E é uma área que me interessa muito. Gostava mesmo de ficar cá a trabalhar».
Só no ano passado foram mais de três mil os currículos que António recebeu. E acredita que este ano serão muitos mais, mas avisa que para entrar no Grupo CH há «uma lista de 70 coisas» que se tem de saber. Todas elas estão num livrinho que é entregue a cada nova contratação e que explica o que a empresa dá e o que espera. Entre os «pecados capitais» elencados está a mentira. «Só houve um despedimento no processo de reestrutração da empresa: foi o de uma pessoa que andou a dizer no jantar de Natal que a reorganização ia servir para despedir pessoas. Era mentira».
O folheto avisa os recém-contratados de que haverá «projectos simultâneos», «ansiedade» e «pressão». Mas sublinha o clima de «respeito» e «abertura».
Para medir o pulso a quem trabalha na CH, a administração está a fazer um barómetro da felicidade. O questionário é completo e, em cada item, tem um espaço para preencher com sugestões de mudanças. «Em quase 80 pessoas, só quatro decidiram participar de forma anónima. Sabem que tenho sempre a porta aberta para os ouvir», frisa António Henriques."
http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=62229
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O Grupo CH que pelo que foi dito presta serviços de consultoria de gestão e recursos humanos, formação, comunicação, design e branding.
ResponderExcluirÉ um excelente exemplo de uma empresa que aposta na satisfação dos seus colaboradores através de varias medidas adoptadas como: regalias monetárias, prémios de valorização dos colaboradores enquanto pessoas, boas condições e até convívios de funcionários organizadas pela empresa.
Como foi dito os colabores neste caso são o "produto" deste grupo portanto devem estar satisfeitos nos seus postos de trabalho.
O grupo acredita que colaborares satisfeitos conseguem realizar um trabalho melhor esta máxima devia ser adoptada por todas as empresas.
Fábio Couto Nº 51382